Tua voz soa em meus ouvidos, aprisiona-se em minha mente e eu insisto em ignorar. Gritos e gemidos mostram meus erros e trazem à memória a paz que antes habitava em mim.
Preciso do Teu perdão e do Teu carinho, mas o passo para voltar atrás parece maior que toda essa caminhada até aqui.
Fechei meus olhos e não vi Tua mão apontando o melhor Caminho para a Vida, decidi fazer minha própria trilha e seguir minhas meias verdades que me afastaram de Ti.
Medo e remorso andam comigo, agora pouco lembro sobre a coragem e sacrifício feito para me libertar. Perdi valores e me aprisionei em mentiras que chamei de liberdade.
Conquistei e cativei o distante, mas sinto minha essência perdida e minh’alma se esvaindo em dor, lágrimas caem em meu rosto ao lembrar de Teus sonhos e planos para mim.
Sei que a mim pertence a decisão, posso viver o Teu melhor ou me perder em meus devaneios. Posso te seguir, pois sei onde te encontrar, o que não sei é como topar essa jornada estando perdido. Contraditório.
“Eu quero estar onde Você está”, pois sozinho não consigo me encontrar.
Era um menino qualquer, um menino que sonhava com música, que vivia música com seu velho rádio sintonizado numa FM hoje extinta. Essa FM lhe apresentou o tudo, mas ele não sabia rotular nada; ouvia e cantava o que tocava, mas havia algo que tinha marcado, uma música que falava de sonhos, de tempo; ele a decorou e a cantava sempre. Certa vez lhe disseram que aquilo era rock, ele não acreditou, mas teve de se convencer ao ouvir uma fita que ganhou com três músicas e meia da banda que compôs aquilo que tanto lhe inspirava.
Foram meses a ouvir as três músicas incansavelmente, no volume máximo, disputando sempre com os vizinhos e orgulhando-se por ouvir o que chamavam de rock. Aquilo era pesado e lhe fazia bem. Às vezes, de madrugada, acordava com um refrão diferente tocando na FM; era profundo, mas ele não sabia ao certo se era pesado ou não, mas passava o dia cantando o que lembrava daquilo: “Nasceu, sofreu, morreu por nós... (...)”, bem era só isso que ele lembrava e, claro, da frase feita ao fim, com prováveis tercinas que ele se quer sabia nomear, apenas imitar com a boca.
Houve um tempo em que as três músicas e o pedaço de refrão não adiantavam mais, ele queria conhecer mais; a solução foi vender as latas de refrigerante que juntava há alguns meses e pedir para sua mãe levá-lo à capital para comprar um CD. E assim foi. Após a compra, a volta dentro do ônibus nunca havia sido tão longa, ele revirava o encarte, atentando a cada detalhe e pensando ao olhar os brincos e cabelos coloridos usados por alguns dos integrantes: “É isso que eu quero pra mim!”
Com esse CD o menino tocava bateria no sofá, acompanhava-o mesmo sem saber tocar coisa alguma; com esse CD o menino sonhava, se via tocando e queria aquilo pra ele. O menino começou com as aulas de música e estava cada vez mais sedento pelo novo; foi então que, ao vender sua bicicleta, pediu novamente à sua mãe para que o levasse à capital para comprar novos CDs, e comprou. Passava o dia a ouvir aquilo e a cantar músicas inteiras, não somente um refrão; passava horas em frente à TV assistindo as entrevistas e fragmentos de shows que conseguiu gravar, agora ele queria ir a um show. O menino era novo, sabia que era impossível sair sozinho para um show, mesmo assim, sempre anotava a data quando ficava sabendo que a banda estaria na capital, contava os dias e ficava a imaginar como estava sendo o show daquela banda e, claro, sintonizado no rádio esperando por notícias.
O que ele imaginava? Bem, isso me parece constrangedor de contar, mas lá vai: Ele imaginava um ginásio de esportes, músicos ao meio (na quadra) e o púbico na arquibancada. Era o máximo imaginar tudo aquilo, mas ele sempre voltava à realidade e ouvia seus CDs e assistia suas gravações. Mas um dia a história mudou e seu pai deixou-o ir ao show, ele estava extasiado, mal podia acreditar que, enfim, veria a banda que lhe apresentou ao rock n roll. O dia demorou a chegar, mas chegou e, com ele, novos vieram e o menino não perdia nenhum show que a banda fizesse na capital.
Hoje o menino tem 19 anos e continua a ouvir a banda. Conheceu alguns membros, criticou algumas fases, mas, continua sendo o mesmo que ouve sem cessar cada um dos CDs.
Agora ele vai um pouco mais longe, vai viajar quase 9 horas pra assistir a gravação do novo DVD da banda. Ah! Claro, a banda chama-se Oficina G3 e, sabe, ele está como uma criança contando os dias e fica bem feliz por compartilhar isso com vocês.
Seja tu o mentor de minha vida, o que mais quero é que essa força cega que me mantém vivo e me permite caminhar não venha a se esvair por completo.
Preciso de ti aqui perto de mim, preciso fugir dessa obrigação que me prende, me oprime, me afasta do que realmente sou.
Dolorosos dias em que me desviei de ti e mudei o rumo de minha vida, buscando alcançar algo que não almejava, buscando coisas que não estavam em minh’alma.
Sou-lhe grato por me permitir olhar atrás e enxergar tudo de mais importante que me fez ser o que hoje sou, o eu em essência.
Sou-lhe grato por, apesar de meus tropeços, tua memória sempre estar a me guiar e motivar, tu me permites a volta e me mostras o sentido de tudo isso; toda dor, toda renúncia, toda escolha... Todo passo, todo tropeço, todo levantar. Toda vida, todo futuro, tudo de ti... Em mim.
O que é a vida sem ti, ó sonho meu?
Baseado numa conversa de MSN que concluí com a seguinte frase: "Entre o sonho e a obrigação, escolho o sonho"
Mesmo que a obrigação me tenha deixado distante do sonho, da arte, do ser eu mesmo o sonho é o que me motiva a fazer tudo isso.
Pois bem. Fim de semestre, fim do projeto, fim das provas, espectativas pelas notas e finais. Agora é hora de cumprir com o que eu prometi a mim mesmo; criar e postar com maior frequência (não sei até quando, mas vou) e visitar meus blogs amigos que tanto sinto falta.
Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento.
Parceiros:
Quem sou Eu?
Tiago Faller
Hoje aqui, mas partindo amanhã.
Eu sou como um vento passageiro que aparece e vai embora.
Como onda no oceano, assim como o vapor.